O que temos para oferecer?

Quando Pedro e João estavam à porta do Templo, chamada Formosa, um coxo de nascença lhes pede alguma coisa para poder continuar, no mínimo, sobrevivendo como medicante. Pedro, aquele que, depois de professar seu amor pelo Senhor recebeu a missão de conduzir a Igreja, fitou bem o olhar no coxo e diz: “olha para nós” (At 3,4). É este o convite de toda a Igreja ao mundo, a olhar para ela para que se perceba o sinal do Reino de Deus e a ação transformadora do evangelho de tudo aquilo que nos impossibilita de caminhar. Deus não dar esmola, mas dar possibilidades para que o medicante construa ou recomece uma vida nova. A Igreja não só se preocupa meramente com a superação de um instinto faminto de pão, e sim apresenta ao mundo o Pão da Vida, que gera vida e liberta o mais profundo do ser humano.

“Não tenho ouro nem prata, mas o que eu tenho eu te dou” (At 3, 6) O que podemos oferecer além de um benefício material? O que nós, saletinos, podemos oferecer? Revendo a Mensagem da Salette, o que temos a oferecer senão apresentar ou até mesmo reafirmar a face misericordiosa de Deus a tantos homens e mulheres, famílias, jovens, crianças que esqueceram a dinâmica do amor, estão confusos e abandonados; pessoas que perderam a força suficiente para construírem um caminho reto e firmar convicções seguras em relação à vida e aos sonhos. A estas pessoas, nossas palavras, testemunhos e gestos devem ter a força do Apóstolo - “o que eu tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o nazareno, levanta-te e anda” (At3, 6).

O ser humano é uma possibilidade infinita, por isso é capaz de reconstruir a sua história. As decepções e desastres, talvez em nível vocacional, familiar ou profissional são apenas desafios no jogo da vida. Nada muito difícil para um bom jogador que sabe driblar as situações inconvenientes. Provocar o gol nem sempre é uma tarefa fácil, mas é preciso acreditar na torcida e nos companheiros do mesmo time e ideal de transformação. Nunca jogue sozinho!

Acredito que Deus nunca esteve ausente. Nós é que, por vezes, nos enchemos de coisas ou nos esvaziamos de tudo. Tudo passa muito rápido e o espaço humano social é configurado pelo banal e o relativo. Não basta querer sempre o novo, o que importa é quanto de nós é modificado no ritmo desta novidade. À medida que for avançado ir firmando convicções, mas sem perder os referencias. Não devemos ser um caniço agitado pelo vento. Somos muito mais que isso. Somos frutos da gratuidade do amor de um Deus encantado pela história do ser humano. O verdadeiro repouso esta em Deus. Nele o nosso coração fará a experiência do indizível e do supremo bem.

O desejo do novo não seria uma amostra natural, principalmente dos jovens, da sede de Deus, mesmo que entendida sobre outra ótica? Talvez, como Maximino, a expressão de muitos jovens seria semelhante: “Se tivéssemos sabido, respondeu Máximino, teríamos dito a ela que nos levasse consigo”.

Ir. Deleon O. Santos, ms

Reflexões

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